11/02/2010
Mudanças…
Pessoal, é com muita felicidade que divido com vocês que fui selecionada para Residência em Clínica Médica de Pequenos Animais no Hospital Veterinário da UFPR – Curitiba.
Com isso, a partir de 16/02/2010 (carnaval) não estarei mais realizando atendimento domiciliar nem consultoria dermatológica na cidade de Ponta Grossa-PR.
Aproveito a oportunidade para agradecer a todos que nesse 1 ano de trabalho em PG acreditaram em minha capacidade e meu profissionalismo apesar de ser uma completa “estrangeira” na cidade. Obrigada a todos os meus clientes pelo carinho e palavras de incentivo e aos grandes amigos-colegas que me presentearam com seu apoio, torcida e lealdade. Sentirei saudades de vocês!
Mas mudanças são necessárias e sempre para melhor!
A partir de 01/03/2010, estarei atendendo diretamente no HOV-UFPR na cidade de Curitiba. Para agendar consultas basta ligar para a Secretaria do Atendimento Hospital: (041) 3350-5616.
O Hospital Veterinário – UFPR está localizado na Rua dos Funcionário, 1540 – Bairro Juvevê – Curitiba. Veja o mapa abaixo:
07/12/2009
Pets em Estado Crítico – O que eles querem?
Ao longo de uma carreira, nós veterinários nos deparamos com inúmeros casos, desde os mais simples até os mais complexos. Todos têm sua importância. Todos contribuem para nosso conhecimento. Todos os casos passados influenciam o tratamento dos casos que virão. Porém existem casos ímpares e esse que relatarei resumidamente é um deles.
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Nenê era uma gatinha de 12 anos de idade. Foi diagnostica com diabetes melittus em agosto de 2009 e desde então estava sendo tratada por outro colega veterinário. Em outubro o “proprietário-avô” faleceu, e a pequena começou a descompensar…
Nesse momento eu paro a narrativa para argumentar com aqueles que renegam a fidelidade e o amor que os gatos têm para com seus proprietários-amigos:
Os gatos têm maneiras peculiares de demonstrarem afetos. Não pense que eles vão sair correndo, latindo e pulando quando você chega em casa do trabalho, pois um gato não é nem nunca será um cachorro pequeno.
O gato é capaz de amar profundamente uma pessoa, e demostrar isso ficando horas quietinho contemplando a vida ao lado dessa pessoa ou até de forma mais explícita. É uma forma diferente de exteriorizar o amor, porém quem convive com ele sabe e tem certeza da profundidade desse sentimento.
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Voltando a narrativa…
Apesar de grande empenho da proprietária-mãe, o quadro começou a se agravar… A gatinha começou a perder cada vez mais peso, o apetite passou a diminuir, a glicose sanguínea atingiu níveis altíssimos, e outros tantos eventos que contrinuiram indiretamente para uma piora rápida do quadro clínico.
Quando atendi pela primeira vez a pequena em meados de novembro, ela estava com um quadro clínico gravíssimo denominado cetoacidose diabética. Comecei o tratamento emergencial para tirá-la desse quadro. Consegui… Mas todas as “sequelas” que poderiam ocorrer, ocorreram!
Foram 30 horas de luta: fluidoterapia, reposição de potássio, glicose, insulina, sonda de alimentação, inúmeras picadas da orelha para medir a glicemia… Nesse meio tempo ocorreu a temível falência hepática… Mas todos nós continuamos nos agarrando na esperança e lutamos fazendo sacrifícios gigantes.
Porém cometemos um grave “erro”… Fingimos não ver o que a Nenê nos falava em silêncio… Nos concentramos apenas em escutar o que nossos corações queriam, que era ela lá junto de nós, custasse o que custasse. Mas era só olhar para os olhinhos dela que víamos o quando a Nenê estava exausta com aquela luta. A vida fugia com o brilho do olhar que praticamente não estava mais lá. Mas o amor das proprietárias e o que eu também acabei tendo por ela nos fazia negar e renegar que o tempo tinha se esgotado independente do que fizéssemos ou lutássemos.
Nenê sofreu uma parada cardiorespiratória… Ressuscitei-a… Ela soltou um miado rouco, como se estivesse se despedindo, e depois se foi… mas dessa vez não voltou mais. Quem ficou foi a desolação e a saudade.
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Talvez o colega veterinário que esteja lendo esse post se pergunte: “Mas o que tem esse caso de tão especial? Nós enfrentamos inúmeras situações de emergência. Perdemos outros tantos pacientes. Isso é normal!”
Então vou explicar as duas grande lições que aprendi:
- Os proprietários interessados, prestativos, zelosos, pró-ativos, que possuem milhões de dúvidas, etc. são nossos MELHORES aliados na luta pela melhora de nossos pacientes. Eles serão os melhores enfermeiros que encontraremos, os melhores monitores que existem, os melhores parceiros que podemos ter… Isso porque eles OBSERVAM, RELATAM, se SACRIFICAM não medindo ESFORÇOS, e são LEAIS às nossas orientações quando vêem que estamos 100% envolvidos. Sem esses proprietários nem os melhores protocolos terapêuticos, nem a mais sofisticada internação seriam capazes de salvar a vida de um animal. Nós precisamos deles!
- Buscamos escutar a todas as indagações e solicitações dos proprietários, da equipe de funcionários da clínica, de tantas outras pessoas… mas muitas vezes esquecemos de parar um minuto olhar para o animal e “perguntar”: o que você quer? o que você precisa? o que você quer que eu faça por você?
Nos concentramos em fechar um diagnóstico e estabelecer o protocolo terapêutico. Mas será que aquele protocolo (apesar de ser o correto e indicado para a causa primária do problema do animal) é suficiente para aliviar o sofrimento dele? Não necessariamente! Estamos desatento a isso! Precisamos ouvir mais nossos pacientes, que não falam palavras bem articuladas, mas são extremamente explícitos em seus desejos.
Estou incentivando uma postura mais intimista entre veterinário-animal. Incentivo a reservarmos um tempo para tomarmos consciência do que aquele animal responderia caso perguntássemos: “o que te incomoda?”. Eles manifestam sentimentos e são capazes de sofrer uma infinidade de desconfortos… E o que estamos fazendo para mudar isso?
Sempre busquei ser uma veterinária que não poupa esforços para salvar seus pacientes, cuidando com carinho e competência, etc. Até então acreditava que realmente escutava meus pacientes. Mas me recusei a ver que desde a primeira troca de olhares, a Nenê já estava dizendo que o fim havia chegado.
A Nenê me mudou e já começou a surtir efeitos na nova “Dra. Camila pós-Nenê”. Recentemente atendi uma Cocker Spaniel de 8 anos que subitamente parou de comer e ficou apática. Durante exame físico ela apresentava muita dor abdominal. Fizemos ultrassonografia e adivinhem… Ela está com linfoma grau V-b. Metástase em todos os órgãos! Mas pasmem. Até há 2 dias ela não demonstrava nada!!!!
Nesse estado do câncer, não há muito o que fazer… a expectativa de vida é de dias, no máximo algumas semanas. Íamos fazer eutanásia. Porém o que a estava incomodando realmente? Ela me “respondeu”… Era dor! E com esse assunto eu não brinco em serviço! O tratamento está sendo pesado! E adivinhem? Ela está ótima, apesar da evolução do câncer estar extremamente rápida. Os olhos brilham, ela brinca, come, corre, late… e não será mais eutanasiada (por enquanto). Quem sabe conseguimos começar a quimioterapia essa semana? Por que não tentar? Já respondi ao apelo dela! Agora responderei ao dos proprietários!
E essa é a lição da Nenê: a vontade/necessidade do paciente tem que vir antes de tudo, mesmo que vá contra os protocolos mais reconhecidos e recomendados. O bem-estar é prioridade número 1! A cura é a número 2! Sempre!
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Esta é a Nenê, cuja ausência nunca poderá ser prenchida!
Obrigada Nenê, Karina e Lili, por confiarem no meu trabalho e por terem contribuído para que eu seja uma veterinária melhor, que realmente tem o paciente como sua prioridade!
Obrigada Nenê por ter sido um anjo, um doce e aceitado com resignação todas as picadinhas, manipulações, falta de privacidade e a presença constante dessa veterinária que não te deu sossego.
27/11/2009
Os desvios que o destino causa…
Bem na semana que estava me preparando para escrever o artigo sobre pets idosos em estado terminal (tema escolhido por votação), atendi uma gatinha linda que mudou minha vida.
Infelizmente, mesmo tendo me dedicado ao extremo, a pequena não resistiu. Porém ela fez com que tudo que eu já havia sentido, vivido e sofrido como médica veterinária se reescrevesse. E por isso, o próximo post sofreu um ajuste de temática e será sobre:
“Pets em estado crítico”
Depois de ler a história dessa gatinha, vocês entenderão a mudança e como é possível um ser vivo que entra em nossa vida em tão pouco tempo nos marcar tanto.
Mas vou levar alguns dias (acho) para postar aqui. Nesse fim de semana estou novamente em SP tendo aula de pós-graduação. O módulo desse mês é sobre Anestesiologia Veterinária, ministrado pelo Dr. Eduardo Hatschbach. Os tópicos estão sendo ensinados com maestria. Apesar de ser uma área que eu, particularmente, dediquei muito tempo de estudo e prática, novidades e oportunidades surgiram com as aulas. Amanhã teremos aula prática! Uhu! Estou empolgadíssima!
Ah! Quanto a enquete que vocês encontram na barra lateral, ela estará aberta ainda até que ocorra desempate. Pois é, estamos com três temas empatados… Enquanto aguardamos o resultado, mandem-me sugestões como a Patrícia fez! Serão muito bem vindas sempre!
É isso! Nos encontramos em breve em um novo post! Não percam!
15/11/2009
A votação acabou! E a escolha foi feita!
Enquete encerrada! O tema escolhido dessa semana será:
Pets idosos em estado terminal
Neste post, buscarei abordar os principais sinais clínicos dessa fase, o comportamento que o animal assume, como reconhecer que a hora da despedida chegou, como superar a perda (as 5 fases) e como auxiliar crianças a vivenciar esse luto.
A publicação ocorrerá no máximo até quarta-feira. Não perca!
As novas enquetes semanais passaram a ficar na barra lateral direita! Não esqueça de votar!!
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Mas para aqueles que já estão ansiosos pelo novo post, segue abaixo a história de Hachiko monogatari, um Akita que esperou o retorno de seu dono por mais de dez anos. Essa história é verídica e deu origem a livros e a filmes.
O último remake foi lançado nos EUA em Junho desse ano (2009), estrelando Richard Gere, Joan Allen, Sarah Roemer, Jason Alexander, Erick Avari, e o trailer pode ser visto abaixo:
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“Copyright © Dra. Camila Sanches e ‘Veterinária – Uma Vida a Ser Registrada’, 2009. Todos os direitos reservados.”
13/11/2009
Enquete da Semana!
Participe! A votação encerrará no dia 14/11 às 23:59!
Não fique triste se o seu tema escolhido não foi o mais votado nesta semana! Os temas menos votados voltarão a participar das enquetes em semanas seguintes!
Mantenha-se ligado nas próximas enquetes! Sua participação é importante!

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“Copyright © Dra. Camila Sanches e ‘Veterinária – Uma Vida a Ser Registrada’, 2009. Todos os direitos reservados.”
12/11/2009
Seu pet está em dia com a vacinação?
A vacinação, ou também chamada imunoprofilaxia, de cães e gatos é diferente da que ocorre na espécie humana, quando é necessária, na maioria das vezes, apenas a vacinação na infância.
Os pets requerem vacinação ao longo de toda a sua vida, e o melhor protocolo de vacinação será ditado pelo seu veterinário de confiança! Porém, seguem abaixo algumas curiosidades, dicas e os principais protocolos.

Você sabia?
> As vacinas precisam ser conservadas em geladeira com controle rígido de temperatura
> Vacina ética é aquela comercializada apenas por veterinários que vão avaliar o animal para constatar se ele realmente está apto para ser vacinado.
> Existem três principais tipos de vacinas comercializadas no mercado brasileiro:
- Morta/inativada: o microrganismo não é capaz de se multiplicar no organismo vacinado, o que garante a grande segurança da vacina. Contudo ocorre uma perda da imunogenicidade, ou seja, ela estimula mais fracamente a resposta imune. Exemplos: Leptospirose e Raiva;
- Viva atenuada: o microorganismo é capaz de se multiplicar no organismo vacinado, porém de forma reduzida. A imunogenicidade é ótima. Exemplos: Rinotraqueíte Viral Felina, Parvovirose Canina, Cinomose, etc.
- Recombinante: a forma mais moderna de vacinação; confere uma imunização específica e com menor possibilidade de reações adversas. Não apresenta risco de reversão de virulência em animais imunossuprimidos e é ideal para filhotes. Ex: Cinomose (Merial).
> Existem fatores que afetam o resultado da vacinação:
- genética do animal,
- competência do sistema imunológico,
- idade (interferência dos anticorpos maternos),
- estado nutricional,
- vacina utilizada (qualidade, tipo, armazenamento, via de aplicação,…),
- presença de doenças concomitantes no ato da vacinação (verminoses, ectoparasitoses…),
- fatores ambientais (calor, frio, umidade, superlotação, transporte, desmame, stress…).
> É incomum, mas podem ocorrer reações adversas pós-vacinais:
- dor e inchaço no local da injeção,
- reação retardada: mal-estar leve e temporário e diminuição do apetite,
- reversão da virulência do microorganismo em vacinas vivas-atenuadas,
- hipersensibilidade imediata a antígenos vacinais ou outros componentes,
- choque anafilático.
> Existem vacinas essenciais e não-essenciais. Para cães as essenciais são: Cinomose, Parvovirose, Adenovírus-2 e Raiva. Já para gatos: Parvovírus (panleucopenia), Herpesvírus-1 e Calicivírus. As não-essenciais para cães são: Bordetella bronchiseptica, Vírus da Influenza, Leptospirose, Giardia sp., Microsporum canis e Borrelia burgdoferi . No caso de felinos, as não essenciais são: Vírus da Leucemia Felina (FeLV), Vírus da Imunodeficiência Felina (FIV), Chlamydophila felis (antigamente conhecida como Chlamydia psittaci), Microsporum canis e B. bronchiseptica.
Dicas
> Vacinar não é apenas aplicar uma injeção! É necessário que o animal esteja em condições clínicas de recebê-la, e SOMENTE um médico veterinário é capaz de definir o tipo de vacina, a via de aplicação, a idade inicial e a melhor freqüência dos reforços.
> Para garantir uma melhor eficácia da resposta imune à vacina é necessário que seu pet tenha sido desverminado antes. Em linhas gerais, dá-se a primeira dose do vermífugo (conforme recomendação do veterinário responsável), depois de 15 dias faz-se a segunda administração e só 10 dias depois, o animal estará apto à vacinação. Além disso, é essencial que o animal esteja sem pulgas e carrapatos!
> Seu pet está sem ou com excesso de apetite, com diarréia, vômito, apatia, ou com qualquer sinal que sugira que ele está doente? NÃO o vacine!! Procure um médico veterinário, que melhor avaliará o caso.
> Mantenha a vacinação em dia, algumas doenças que a vacinação protege podem ser transmitidas para o ser humano, como a leptospirose e raiva.
Protocolos de Vacinação Básica
– Cães:
- 1ª dose: V8 ou V10 (após 45-60 dias de idade)
- 2ª dose: V8 ou V10 (3 semanas após a 1ª dose)
- 3ª dose: V8 ou V10 (3 semanas após a 2 ª dose)
- 4ª dose: Anti-rábica (após o 4º mês de idade, preferivelmente)
Uma quarta dose da V8 ou V10 é sugerida para algumas raças.
A revacinação deve ser anual com uma dose de cada uma delas: polivalente e anti-rábica. É importante que as datas não sejam alteradas para uma
melhor eficiência da vacina e maior segurança para o filhote, assim como para o adulto. Havendo incidência de roedores na residência, sugere-se vacinação semestral contra leptospirose.
– Gatos:
- 1ª dose: Quádrupla (após a 8ª semana de idade)

- 2ª dose: Quádrupla (3 semanas após a 1ª dose)
- 3ª dose: Anti-rábica (após o 4º mês de idade, preferivelmente)
A revacinação deve ser anual com uma dose de cada uma delas: quádrupla e anti-rábica. É importante que as datas não sejam alteradas para uma melhor eficiência da vacina e maior segurança para o filhote, assim como para o adulto.
A vacinação contra a leucemia felina (quíntupla felina) só deve ser feita em gatos que tenham livre acesso à rua, desde que sejam FeLV negativos (necessário exame sorológico antes da primeira vacinação). Animais que ficam apenas dentro de casa ou apartamento, não têm necessidade de serem vacinados contra FeLV, somente para as demais afecções.
Ainda está com dúvidas?
Visite o site da Merial: perguntas freqüentes sobre vacinação de cães e gatos.
Referências Bibliográficas
- Paul MA, Carmichael LE, Childers H, et al: Report of the AAHA Canine Vaccine Task Force: 2006 AAHA Canine Vaccine Guidelines. Available at www.aahanet.org; accessed October 2009.
- Richards JR, Elston TH, Ford RB, et al and the American Association of Feline Practitioners Feline Vaccine Advisory Panel. The 2006 American Association of Feline Practitioners Feline Vaccine Advisory Panel report. JAVMA 2006;229(9): 1405-1441.
- Curso online de Vacinologia para veterinários da Merial.
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